quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A.B.

Há dez dias,
e não mais,
As regras mudaram.

Todas as cartas me foram dadas
Tenho todas as combinações
de uma partida, quisera, então,
vencida

Tenho nas mãos
Tua mão e a minha:
uma seqüência de copas
de As a As
[e todas são tuas]

Tua sorte, agora, é minha:
Uma bela canastra limpa
Um Royal Straight Flush
Todas as caras e bocas
Do bom jogador
e o lucro.

Te tenho na mão
Teu coração
E o fim do jogo.

















Há quem diga que é o fim
Não eu.

Quero mais!

Quero homem que perdeu o jogo
-acabou com ele-
e ganhou o prêmio!

Tenho o homem
que trocou suas copas
Por um coração partido

Quero mais!

Quero o perdedor.
O homem
Que se deixou vencer por algo mais

Tenho o homem da atitude dúbia
Dos pensamentos lidos turvos
Indecifrável a alguns
Transparente ao meu redor

Quero mais!

Quero o homem tido forte
Com porte
E ambição
Frágil com a paixão

Tenho o homem com a maldade,
a prepotência de um ego adulterado
Engrandecido por um meio [que é]
medíocre
Temente ao meu agir

Quero mais!

Quero o homem que me cuida
Como a menina que sou,
Quando menina sou

Tenho o homem que é impetuoso
Que me arranha a face
Que me morde o corpo
Que machuca ao dar prazer
Sabendo que mulher, também, eu sou

E quero mais
Vou querer sempre mais

Te quero nas mãos
Aos meus pés
No pé do ouvido
E dentro de mim.

Tenho tudo o que quero
Quero tudo o que tenho

Te quero, meu homem
Te tenho, meu bem

Tu é o homem
O homem
Que fez meu ego,
no jogo
Viciado
se calar
Ao ter me entregue as cartas
e a tática
Antes de sequer tentar
jogar

Eu sou a mulher
A mulher
Que te fez parar de usar
Humanos como peças
descartáveis
de um jogo infinito de
Questionável
prazer e poder

Tu é o meu homem
O homem pra mim
Sou a tua mulher
A mulher pra ti
Hoje

Te tenho e te quero mais.
Sou tua e quero mais.









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